domingo, 3 de julho de 2011

Devaneio intrínseco de uma autora.



Começamos essa história falando de Louise. Vocês, leitores, precisam saber que ela é uma moça auto-suficiente. Para ser mais sincera, em sua visão de mundo é que ela pensa ser. Não gosta nada da idéia de dividir seu dia-a-dia com alguém de uma forma tão íntima e intensa, como seria se assumisse algum compromisso agora. Suas amigas muitas vezes fazem piadas por causa dessa escolha. Todas elas, como a personagem dessa história, adoram o filme (500) Days of Summer. Zombam com moça pelo fato dela ser parecida com a protagonista do filme. A diferença é que de modo algum gostaria de casar.

Mas, Louise não liga para as piadas que fazem, pois sabe se divertir fazendo coisas que realmente gosta e vive bem assim, aproveitando sua juventude. Sonha em ser uma mulher bem sucedida profissionalmente e ser feliz no que faz. Realmente, sabe como não precisar exclusivamente de outro alguém para ter felicidade. Para ela, ninguém é incompleto. Se algum dia amar de verdade, será porque é inteira e não procura sua metade, mas sim alguém inteiro que queira dividir momentos de sua vida.

A personagem dessa história maluca tem certeza que príncipe encantado só existe em filmes, aliás, nunca gostou muito deles. Também acredita que o para sempre não existe e que ninguém está no mundo para ter alegria todos os dias. Mas, é claro que não pensava assim quando era mais nova. Louise era boba demais e acreditava em quase todas as coisas que agora sabe que são bobagens. Errou e se machucou, mesmo que hoje, olhando para trás, ela dê risadas ao lembrar da maioria dos momentos ruins que envolveram o amor, ou o que ela pensava que era amor.

Lembram do que eu comentei no início dessa história? Ela só pensa ser auto-suficiente. Mas bem, eu como mera narradora de uma personagem, que na verdade fui inventada pela imaginação da autora, digo que Louise só é assim porque ainda não amou. Absolutamente, sua visão de como deveriam ser os relacionamentos faz sentido. Não que eu deva demonstrar a minha opinião, pois meu papel é informar a quem lê sobre o destino dessa moça, e não devo desviar a atenção de vocês – mesmo já fazendo isso. Essa moça pode sim ser feliz sozinha, e ela é. Mas a pergunta é: por quanto tempo? Como ela mesma acredita que nada é para sempre, nem sua felicidade solitária. Algum dia ela perceberá que ninguém é totalmente feliz sozinho. Ela, que nunca gostou de ler romances, poderá ainda viver um. O melhor é que isso não precisa começar com ilusões de ser para sempre, nem de se sentir completada só com o homem amado. A diferença, na verdade, é que terá um companheiro e será maravilhoso enquanto durar, enquanto dividir momentos com o futuro amado.

Mas, enquanto esse dia não chega, ela continua aproveitando sua juventude e sua criatividade. Como? Fazendo o que mais gosta sem dar satisfação à outra pessoa. Mas sabem o que eu penso? Que um pouco dessa vontade de ser feliz sozinha e aproveitar a idade é camuflado no medo que sente do amor. Desse sentimento forte que chega de mansinho, no olhar. Ela tem, sinceramente, medo de amar. Porque no fundo ela é romântica. Do jeito dela, diferente, mas é. Só não admite ser.

Ah, olha eu aqui mudando o foco de vocês. A opinião de uma mera narradora atrapalhando o desenrolar dessa história, que mais ficou parecendo um desabafo da mente da autora. Mas cá entre nós, quem é que pode discordar que não foi um desabafo camuflado? Sinto que a autora irá querer me matar. Mas penso que não foi tão ruim o que eu fiz, por que quem é que não usa do artifício de criar para de algum modo desabafar?

15 pessoas deixaram uma lembrança.:

Natalia Campos disse...

Adorei. Mui belo e sim, foi um desabafo rs. Ah! Ninguém pode ser feliz sozinho. Não dá. Te garanto. Beijos, pequena. Saudades. Beijos.

Georgette. disse...

Completou-se enfim. Bela história.

Inercya disse...

Awn, que linda a forma como você desenrolou a história, conversando com nós, os leitores e fazendo com que nós ficássemos próximos, entendendo como é a vida de Louise. Adorei muitíssimo. :D
:*

Ana Luiza Cabral disse...

Oi Thaís! Amei sua visita lá no blog. E muito feliz eu vim até aqui retribuir mais uma vez. E voltarei sempre mesmo. Virei seguidora fiel(sorrisos). Você nos deixa íntima do seus textos mesmo. Seu blog é de uma paz e uma doçura. Seu jeito doce e sensível de escrever. Esse modo mesmo que nos levam a imaginar a história e realmente ficar próximo. Gostei muito do texto e de Louise também! Gosto dos seus títulos, eles chamam atenção de quem lê. Te segui no twitter ta? Espero anciosamente o próximo post. Beijo e outro abraço mega apertado.

Daniela Filipini disse...

Me identifiquei tanto com Louise, tanto... Até postei uma partezinha do texto no meu twitter, e você verá isso nas menções...
É um tanto doloroso considerar-se auto-suficiente, pois um dia percebe-se que de auto-suficiente não há nada... Quando descobrimos isso é quando precisamos muito de alguém.

Jéssica Bueno disse...

Só para dizer que gosto muito do seu blog e passo aqui várias vezes. Que bom que vc começou a escrever os textos justificados ^^
Escreve bem.

Beijos

Bruna disse...

aiai, esse texto é tão "eu"...
Adorei muuito o seu blog, e com certeza irei voltar mais vezes aqui.

Pedro Menuchelli disse...

Thais,
A coisa mais dificil que há é o fato de demonstrar realmente de forma direta o que sentimos. Hoje em dia, os sentimentos estão banalizados, é tudo muito capitalista e as pessoas são compradas por coisas que inimaginavelmente poderiam acontecer. De certo modo, algumas poucas pessoas ainda se deixam levar por sentimentos, mesmo que camuflados em histórias que não existem, em personagens irreais. No caso do seu texto, seu personagem existe em todo lugar. Aposto que há sempre uma/um Louise espalhado por ai, com medo de amar, de se entregar e de demonstrar o que sente a um outro alguém. Talvez, seja apenas um medo, mas também pode ser um eterno trauma emocional causado por relacionamentos anteriores que não deram certo.
A grande verdade é que ninguém é feliz sozinho. Todos nós precisamos de uma outra pessoa para compartilhar momentos, discutir aprendizados e crescer em todos os angulos da vida. Precisamos de alguém que nos abrace quando estivermos mal ou então nos dê a mão amiga em um momento de indecisão ou incapacidade.
Você é uma pessoa linda Thais. A forma que você escreve cativa muito o leitor a querer descobrir ainda mais dessa personalidade expressa por suas palavras, em seus contos. Escrever é uma das coisas mais díficeis que existe, porém, algumas pessoas como você têm esse dom e aproveitam a oportunidade que têm de mostrar a verdade através de suas entrelinhas. Um grande beijo, muito carinhoso. Se cuida linda! Ótima semana.

Olga disse...

muito bom seu texto e a maneira que o escreveu foi extremamente criativa. :)
mas, ainda assim, eu acredito na visão da louise e da summer sbr o amor: algo com o qual podemos viver sem. :)
aliás, muito lindo seu layout!

Paullyne Lima disse...

Awwwwwwww, estou apaixonada pelo seu blog. completamente apaixonada <33

@03h33 disse...

Deve ser a quarta ou quinta vez que leio esse post. :3 Fico impressionada de como você escolhe as palavras e completa cada frase. E incrível como você escreve Tíss, você tem um talento incrível. Parabéns!

Minne disse...

Mas é assim mesmo, cada escrita nossa é um desabafo, seja nosso ou emprestado. E essa Louise é tão compreendida por mim, que só quer viver independentemente de qualquer um, que tem medo de amar porque hoje esse amor virou sinônimo de dependência e até sofrimento, palavras que, veja bem, não são tão queridas assim. Mas sabemos que de certa forma esse gelo que vive dentro da personagem um dia será derretido e não passará de água, até que evapore, um dia ela vai ver o quanto o amor é involuntário. Acho que é a palavra certa, simplesmente acontece e quando damos por nós já estamos totalmente envolvidas, de modo que voltar atrás dói e enche de agonia. Mais um texto maravilhoso né Tiss? Se cuida. :B

disse...

Confesso que no comecinho do texto fiquei pensando "essa Louise é tudo que eu quero ser: auto-suficiente, independente. Feliz por contra própria". Mas a questão, como você mesma diz, é: por quanto tempo? Porque um dia, se ela tiver o privilégio de viver muito, ela irá envelhecer. E quando se envelhece, quando os problemas realmente sérios da idade começam a surgir, não há como continuar sozinho. E não há dinheiro algum que compre uma boa companhia. Quando você disse que ela tinha medo de amar, eu já não achava que era parecida com a Louise: eu me achei no seu texto. Você escreve bem demais, texto maravilhoso. Parabéns.
P.s: Gostei muito da sua visita no meu blog, e você também ganhou uma leitora fiel. Irei aparecer mais vezes. :3

Lívia Inácio disse...

seu blog é super delicadinho e com um conteúdo que não deixa a desejar. \o/

adorei ter passado por aqui.

=*

Nasaneeds. disse...

Minhas personagens têm um pouco da autora. Eu sou cruel e fria: uso-os para falar sobre minha vida, minhas ideologias, sobre o que sinto. Como isso, gente? Mas não sou tão má: eu dei a vida a eles, e agora quero ver para onde vão. O jeito é soltar para o mundo e de repente amo o que eles viram E essa personagem, pequena Tiss, também tem algo de você. Quem sabe ela não crescerá um dia e notará que a expressão "metade da laranja" não é tão ultrapassada? Confesso que eu sou um pouquinho como ela. Mas esses dias notei que preciso das pessoas. Que amar é algo lindo, que, nossa, que vontade de se apaixonar! Não, ninguém vive sozinho. Se fosse assim, não viveriamos em cidades, apartamentos, ruas...