terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Todo aquele blábláblá sobre fim de ano.

(Sim, sou eu na foto.)




É um texto diferente, que eu não postaria aqui. Mas o blog, coitado, está tão abandonado, que eu achei digno não deixá-lo assim até o ano que vem. Para vocês que ainda leem meu blog e me acompanharam durante 2011 inteiro, aqui está um breve resumo do meu ano:

2011 foi um bom ano. Ao menos, para mim ele foi. Foi um ano de coisas novas, de descobertas, despedidas e alegrias. Momentos intensos aconteceram. Nuvens negras se instalaram por algumas e algumas vezes em minha vida, mas eu consegui fazer com que isso não me abalasse. Último ano do colégio. Se ano passado eu pensava que saía bastante com as pessoas que eu gosto, esse ano bateu recorde. Momentos maravilhosos. Risadas. Shows. Cinema. Cinema em casa. Fotos. Ah, eu quero de novo, e de novo! Será que pode? Não, não pode. Mas se vai deixando com gostinho de quero mais. Quero muito mais! Tive experiências maravilhosas durante esse ano inteiro. Estudei muito, meus boletins nunca foram tão bonitos. Briguei. E me afastei de pessoas falsas que não me faziam bem. Eu não me arrependo, pois faria tudo novamente. Fortaleci laços de amizade – quero continuar fortalecendo – e arrumei um emprego. No final do ano praticamente, foram só três meses. Mas... Os três melhores meses que eu tive. Eu cresci três anos, amadureci bastante. Trabalhar não mata, só faz bem. Conheci pessoas incríveis no trabalho, que eu levarei na minha memória e comigo para onde eu for. Não, eu não odiei minha chefe e nenhuma colega de trabalho. Quando eu digo que esse ano foi bom, vocês pensam que estou exagerando, não é? Mas não estou! Conheci muitas pessoas nesse rápido estágio e aprendi a lidar com atendimento ao público. Aprendi que sou útil e que gosto de trabalhar. Não deu certo, acabou, mas ano que vem tem mais em busca de um novo emprego. Na escola, tudo normal, a rotina de sempre. Também aprendi bastante por lá. Mas acabou. Pois é, mais uma etapa que se cumpriu em 2011. Ensino médio completado. Quantas vezes eu sonhei com isso, não é mesmo? E agora ta aí, já terminei e nem me dei conta realmente disso. Formatura! Ah... Essa foi tão linda, mesmo que tenha passado super rápido, apesar de eu ter sido do baile passava das quatro horas da madrugada. Nesse dia, eu me revelei. Ah... Como eu dancei! E o que falar da vida amorosa? E não é que a danada também deu as caras esse ano? Bem pouquinho, mas deu. Demorou, mas ela tinha chegado. De uma forma tão bonitinha, que nem eu acreditava. Sim, sim, como eu disse, vivi, ri, chorei, sorri e também beijei. Não muito, mas não pouco. Mas não evoluiu, então, bola pra frente. Foi o que eu pensei – e fiz. Realmente, esse foi um ano meu. Aprendi que as palavras tem poder, e que meus desejos também. Desejei, imaginei e fui à luta. Alcancei vários objetivos e com isso, amadureci tudo que eu não amadureci nesses outros dois anos de ensino médio, senti-me útil em trabalho, descobri que sei socializar com vários tipos de pessoas – mesmo timidamente, no começo. Senti-me, também, desejada. Quem não gosta de se sentir assim, não é mesmo? Ah, foram tantos os momentos e as pessoas que me fizeram bem esse ano, que eu passaria horas e mais horas comentando sobre eles. Tinha tudo para ser um ano medroso, tímido, quieto. E não foi! Ainda bem, porque eu que não aguentaria um ano assim. Foi bom, muito bom, eu queria mais. Escrever tudo isso me deixou com alma lavada. É bom desabafar assim às vezes, deixa o coração mais solto e o sorriso mais leve, com toda certeza. Sabe o que resta? Aproveitar os últimos momentos desse ano maravilhoso. Os últimos dias. Sorrir bastante. Deixar o coração leve, livre e solto, para abraçar 2012 com todas as forças e ser feliz. Muito, muito feliz. Porque eu tenho sede do futuro, tenho vontade do novo e quero isso com todas as forças!

Sugestão de música para leitura: Couer de Pirate - Comme Des Enfants.

domingo, 30 de outubro de 2011

Capturando emoções


Lane é uma moça que se encanta facilmente por coisas antigas. Em seu quarto, ela guarda suas lembranças e coisas antigas que pertenceram a outros membros de sua família. Para ela, aquilo tem um valor imenso, valor esse que poucos conseguem entender. Às vezes, prefere passar o dia trancada em seu quarto, conversando com seus livros e objetos antigos a sair e enfrentar a realidade lá fora.

Hoje era um desses dias em que ela não sairia de seu quarto. Que ali, viajaria através de seus livros e também de suas músicas. Reveria pela milésima vez as cartas antigas que um dia foi de sua falecida tia e também se inspiraria em fotos antigas da família, ou puras fotos de objetos muito, mas muito antigos. Lá fora o dia estava cinza, como naqueles dias em que as pessoas saem na rua e se vem obrigadas a se agasalharem melhor, pois senão seus corpos serão atingidos pelo ar frio que prevalece durante o caminho em que percorrem, pensou ela.

Lane tem uma espécie de diário, entretanto ela não o usa com a mesma finalidade que as meninas de sua idade. Não consegue entender por que as suas amigas utilizam um espaço tão precioso de escrita comentando sobre suas paixonites agudas de adolescência ou até mesmo sobre o quanto estão tristes por alguma coisa banal. Ela prefere utilizar daquele espaço para criar e sair um pouco do seu mundinho. Aliás, Lane faz muito disso. Foge da realidade, por vezes, até demais. Talvez isso não seja muito bom, mas essa amante das coisas antigas ainda não aprendeu sobre isso. Um dia aprenderá, podem apostar.

Especialmente hoje ela estava escrevendo sobre o quanto é bom escrever. Sobre o quanto é bom se camuflar dentro de frases transcritas para o papel. Mas além de escrever e criar algo baseado nessa ideia se deu conta sobre como é engraçada e boa a sensação de quando sente a inspiração chegando. Pois a danada da inspiração vem de mansinho, quando Lane menos espera. Quando a menina pede ou busca muito por ela, a inspiração fica ai, fugindo pelos caminhos em que encontra, só para aparecer de surpresa e fazer o sorriso de Lane se tornar imenso e contagiante.

Naquele dia cinza de estranha primavera, a moça observava pela janela os pássaros a voarem e a cantarem, e baixinho, ouve o rosrosnar de seu gato, que dormia tranquilamente fazia horas. São coisas assim, pensou Lane, que me inspiram. Mas sabe muito bem que não é só isso que a inspira. As mais variadas fotos que vê a inspiram de uma forma tão bela, que gostaria de formular um texto para cada imagem que vê. E não importa se é uma foto ou alguma imagem real que ela captura com a sua memória, tudo serve para a inspiração de Lane.

Lá fora ela vê pessoas andando de mãos dadas e presencia vários abraços. Isso a ajuda a refletir o quanto ela gosta de um abraço apertado, de um abraço bem dado, de um abraço que transborde carinho e alegria. Ela coloca seu gato no colo, puxa uma coberta, guarda o papel e o lápis em que escreveu mais um texto, apaga todas as luzes e vai aproveitar o dia cinza para dormir e assim quem sabe, sonhar com mais inspiração. Com mais inspiração para os próximos dias.

Sugestão de música para a leitura: Farewell - Feldberg.

domingo, 4 de setembro de 2011

Desabafo qualquer.


A gente tenta, faz de tudo para se convencer que tá tudo bem. Vai empurrando com a barriga e vivendo dias iguais, vai deixando virar rotina. Não faz nada para mudar. Não atrai nada de extraordinário pra vida. Não se admira mais com os pássaros e nem com as flores. Tudo é cinza. Dormir, levantar, cumprir suas obrigações, dormir, levantar, cumprir suas obrigações. Esse é o ciclo. E a gente ainda se engana falando que gosta da liberdade. A liberdade sufoca e traz angústia, mesmo que a gente não perceba.

A gente fica tentando buscar explicação no destino ou no acaso para coisas boas que poderiam ter acontecido na nossa vida, mas é pura bobagem. Não aconteceu porque você não as atraiu. Simples. A gente tem a terrível mania de falar que não era pra ser. Como é que a gente pode saber sem ter vivido aquilo? É só mais uma desculpa pra botar a culpa no destino. A gente tem que entender, que tudo acontece na nossa vida é fruto das nossas ações. Se você quer amor, busque amor. Se quer alegria, busque alegria. Se não quer tristeza, não busque a tristeza. Vá atrás de amor, vá atrás de sorrisos, deixe ir embora a solidão.

Mas quem sou eu para dar conselhos assim? É aquela regra: é fácil dar conselhos para os outros, o difícil é segui-los na nossa vida. Aí chega uma hora em que todo o desabafo que você estava escrevendo evapora da sua cabeça. Bum! As palavras sumiram. Até as palavras somem de você. É nessa hora que tu é obrigado a parar para pensar e avaliar o jeito que tu tá agindo com a vida. A gente cria um monte de ilusões para não deixar a vida tão chata. Aí essas ilusões acabando nos machucando e colocamos a culpa na vida.

A vida não tem culpa de nada, coitada, é a melhor coisa que nós temos nesse planeta. Ou a gente pode rir sem viver? Amar sem viver? É óbvio que não. Mas aí tem momentos que as palavras fogem de ti. É nessas horas que tu precisas ter coragem de mudar. De abrir as portas para a luz. De ir atrás da felicidade, ir atrás dos sorrisos, ir atrás do amor. Porque, sabe, Marcelo Camelo já dizia...

Triste é viver só de solidão.

domingo, 31 de julho de 2011

Insatisfação matinal.




Eu estava parada ali na minha cama, observando o meu quarto. Aliás, preciso confessar que eu consigo gostar do meu quarto pelo simples fato de ter nostalgia demais lá dentro. E também tem a minha cara, combina exatamente comigo (apesar de às vezes eu achar que aquilo não pode ser eu). Mas, voltando à história, eu estava sentada e lendo a um agradável livro, quando de repente interrompi minha leitura, saí e fui dar uma volta pela casa, mas nem as coisas que eu mais gosto de fazer, nem o frio que estava presente, conseguiam me alegrar.

Eu não tinha vontade para fazer nada, queria que as horas passassem, mas que o dia continuasse sendo aquele. Eu sei que isso é contraditório demais, mas na maioria das vezes meus desejos são assim.

Eu não conseguia nem mais ler direito, nem escrever algo que realmente prestasse. Sim, porque esses desabafos não são o tipo de coisas que eu gosto de escrever e compartilhar com alguém. Nem a música me chamava muita atenção, sabe, era horrível me sentir assim. Eu não me agüentava mais. Queria fugir, me isolar de tudo, chorar, me descabelar, sei lá o que eu poderia fazer, mas queria tirar esse sentimento de tristeza do meu corpo. Tristeza. Seria isso o que eu estava sentindo? Ah, mas só podia ser. Era a única explicação para que eu ficasse desse modo tão de repente, do nada, quando tudo há algumas horas atrás essa completamente normal. Bem, não indo a mil maravilhas, mas estava bem melhor do que agora.

Mas, ah, meu Deus! Parece que eu só sei reclamar, na verdade, acho que nesse momento é a única coisa que sei fazer mesmo. Mas, não se preocupe, eu não costumo ser assim no dia-a-dia. Sou até bem legal, eu juro. Isso é coisa momentânea. Se tu tiveres vontade ainda de me conhecer melhor depois que essa crise passar, poderás ver não sou um poço de reclamações. Mas, a única coisa que eu precisava agora era de alguém para desabafar pessoalmente essas tristezas e lamentações repentinas. Sabe, apareceram do nada, eu não as tinha! Mas que inferno, é horrível me sentir assim.

Mas, entenda meu lado, aposto que algum de vocês já sentiu assim antes. Não é a melhor sensação do mundo, porque geralmente ela vem acompanhada de algumas lembranças de coisas especiais que você passou, mas que geralmente não vem à tona todos os dias. Tudo bem fique tranqüilo, não comentei sobre minha nostalgia, prefiro guardá-la para mim mesma.

E eu estava nesse quarto vazio, que sempre teve muito de mim. Mas, não parecia ser o meu refúgio e nada do que eu tentasse fazer me agradava. Eu realmente não sabia o que sentia, mas era uma mistura de tristeza com agonia, um nó na garganta. São umas daquelas sensações que ninguém sabe explicar direito, porque senti-las já nos tira toda a capacidade de fazer outra coisa.

Agora, eu só queria mergulhar na nostalgia e acordar melhor.
Mas cá entre nós, vocês já se sentiram assim alguma vez?

domingo, 17 de julho de 2011

O sonho do amanhã.


Numa rua onde todos se conheciam e as casas tinham jardins bem cuidados, com árvores e flores embelezando a paisagem, encontrava-se Laura, com o corpo sobre um banco velho da rua. Deixava suas pernas para fora dele, o que indicava certo nervosismo e medo do desconhecido e vasto mundo ao seu redor. O clima local estava agradável, num certo equilíbrio entre não muito quente e nem muito frio, mesmo assim, aquela moça batia os dentes entre si e encolhia-se como se estivesse querendo aquecer-se. Mas no fundo ela sabia que, aquela reação, era somente o medo se manifestando através dela.

Em sua mente, pensava estar se prestando a um papel ridículo, pois aquilo tudo era vergonhoso para ela. Sair de sua casa ao cair da noite, sem deixar nenhuma notícia após ouvir mais uma briga de seus pais, antes lhe parecera tão certo, mas agora lhe parece uma ideia extremamente infantil. Olhava ao redor e via aquelas casas tão belas, que em sua opinião indicam quanta felicidade poderia reinar para as pessoas que ali viviam. Em meio a esses devaneios, foi quando se lembrou que havia trazido consigo o seu fiel caderno de recordações. Não que isso fosse fazer todos os seus medos irem embora a um passe de mágica, mas poderia ser uma boa alternativa para começar a driblar o seu nervosismo. Resolveu ao menos tentar.

Com suas mãos ainda trêmulas, segurou a caneta com certa dificuldade e aos poucos foi conseguindo fazer com que as primeiras letras saíssem no papel. Olhava para os lados, via e ouvia o vazio da rua em pleno início de madrugada. De dia, pensou ela, essa rua parecia tão agradável. Pouco a pouco, viu o papel que estava em suas mãos transformar-se em várias linhas escritas, em várias frases inventadas por ela mesma, para esquecer um pouco de toda a sua tristeza.

E então, assim escrevendo e sentindo-se mais aliviada, conseguiu adormecer, ouvindo os grilos, o único som que aquela rua ouvia durante a noite. Logo cedo seu sono foi interrompido pelo o canto dos pássaros e a luz do sol nascendo. Seu relógio indicava seis horas da manhã e com certeza poderia ficar um pouco mais naquele banco, pois acreditava que ninguém seria louco de acordar a essa hora em um sábado. Sábado, se seus pais não tivessem brigado feio, esse era sempre o dia em que iam para a cozinha ajudar a sua mãe a cozinhar. Mas os anos passam e tudo vai ficando menos intenso, esses momentos passaram a ser raros, quase nunca mais acontecendo. Mal conseguia se lembrar da última vez que isso ocorreu.

Ao ver um pássaro voar tão perto de onde estava, lembrou-se de seu caderno e leu atentamente as frases que escreveu. Encantou-se de primeira reação, entretanto após ler melhor caiu em si e pensou que aquelas palavras nada poderiam mudar em sua vida. Ainda era cedo e Laura sentia-se cansada, o que fez com que involuntariamente ela adormecesse novamente naquele banco desconfortável, sem importar-se se algum morador daquela rua chegaria e a veria ali.

Algum tempo depois, adormeceu profundamente e sonhou. Um sonho muito belo e cheio de detalhes, de cores vibrantes, mas de ao mesmo tempo uma sensação de paz e tranquilidade. Desejou ficar para sempre naquele sonho, onde tudo era tão calmo e tão aconchegante, onde tudo era tão diferente do que a sua vida tinha se tornado. Naquele sonho, encontrou um rapaz. Um moço muito bonito, por sinal, pensou, ainda sonhando. Mas além de belo, aquele moço parecia muito sábio. Parecia ser alguém que aprendera com a dor, mesmo que de forma tão precoce. Ele parecia dizer algumas coisas das quais não conseguia ouvir e isso a fez cair em choro manso, por não conseguir comunicar-se com a única pessoa que apareceu para ajudá-la.

Mas Laura estava enganada, o rapaz que tanto tinha despertado algo dentro dela podia ouvi-la e vê-la muito bem. Pegou o caderno das mãos dela e leu todas as palavras que estavam escritas em a sua frente. Encantou-se de certa forma e sorriu, sorriu e abraçou-a, fazendo com que naquele abraço Laura tivesse a certeza que tudo ficaria bem. De alguma forma, mesmo que não ouvisse a voz daquele rapaz, podia entender muito bem o que ele queria lhe dizer. Todas aquelas frases confusas que havia escrito eram muito importantes e poderiam ajudá-la sim. Ela poderia melhorar através das palavras. E ela ia.

Ao acordar via-se nos braços de um garoto. Ele lhe parecia tão familiar, porém não conseguia se lembrar de onde ela poderia já ter visto aquele rosto tão belo. Boa parte da manhã já havia se passado e várias pessoas já tinham passado por aquele banco, mas somente aquele jovem resolveu dar o apoio que mesmo não falando, conseguiu perceber que Laura precisava. Foi aí que ele a abraçou e quando nesse gesto fez com que a acordasse, pode presenciar o tímido e lindo sorriso estampado nos lábios daquela moça.

Aquele moço-bonito era Carlos. Ele morava numa rua onde todos se conheciam e as casas tinham jardins bem cuidados, com árvores e flores embelezando a paisagem. Era um garoto alto e com cabelos claros, com uma pele que poderia quase ser considerada cor de leite, de tão branca que era. Seu cabelo às vezes o incomodava quando caia no olho, mas até que ele achava isso divertido, porque irritava a sua mãe. Vê-la irritada era algo que o fazia rir, porque ela franzia a testa de um jeito sem igual.

Todo o dia antes de ir para a faculdade ele tocava algumas músicas na guitarra que ganhou do pai. Seu pai morava em outro estado, o casamento dele com sua mãe não foi muito bem sucedido. Em meio a isso, Carlos sempre ficou meio inseguro no que se dizia respeito ao amor. Ele não entendia como as pessoas podiam falar em amor eterno se o amor de seus pais não durou nem cinco anos.

Mas hoje, o dia em que conheceu aquela garota, ele não estava indo para a faculdade. Queria era mesmo sentir o ar puro daquela linda manhã de sábado quando foi até o jardim e avistou aquela garota deitada em um banco próximo a sua casa. De início Laura sentiu-se intimidada, mas aos poucos o silêncio desconfortável foi dando espaço a uma conversa agradável e muito divertida, em que os dois compartilhavam sorrisos e olhares de tristezas. Ambos estavam expondo a um alguém que nem conheciam direito seus medos e suas alegrias. Laura ficou sabendo da história dos pais de Carlos e então conseguiu entender que nem todas as casas daquela bela rua irradiavam felicidade. Talvez tanta beleza escondesse tristeza também. Carlos por sua vez, ficou sabendo da história dos pais de Laura e não sabia como consolá-la. Os dois tinham a mesma opinião e a mesma indignação sobre os relacionamentos. Os filmes e as histórias de romance os ensinavam que tudo terminava com um final feliz e que todos viviam felizes para sempre. Mas eles sabiam que não era isso o que acontecia. Ao menos não na vida deles. Eles sabiam, eles sentiram na pele o além do final feliz. Os filmes expressam o que muitas pessoas não alcançam na vida real e querem ver para iludir-se, pensou Laura.

Carlos comprometeu-se a levá-la para a casa e caminharam continuando aquela conversa, compartilhando opiniões parecidas e diferentes, compartilhando risos e olhares tristes. Compartilhando coisas e aprendendo ainda mais, em uma manhã que para ambos estava sendo extremamente especial.

Não se sabe o que o destino reserva para aquelas duas vidas. Ninguém sabe se viveram um belo romance ou se serão apenas bons amigos. Ninguém consegue prever o que acontece após o final feliz, porque para isso se é preciso viver. O amor é muito mais que o viveram felizes para sempre. O amor também tem as discussões e coisas ruins. Isso pode ser como um tapa na cara de muita gente, mas o amor também é isso. E os dois sabem que se algum relacionamento não dá certo, é preciso seguir em frente. Como eles seguiram e seguem, mesmo sabendo que o relacionamento das pessoas que mais amam fracassou.

E assim, Laura e Carlos sumiam na paisagem daquela rua cercada por jardins bem cuidados, com flores e árvores embelezando a paisagem.

domingo, 3 de julho de 2011

Devaneio intrínseco de uma autora.



Começamos essa história falando de Louise. Vocês, leitores, precisam saber que ela é uma moça auto-suficiente. Para ser mais sincera, em sua visão de mundo é que ela pensa ser. Não gosta nada da idéia de dividir seu dia-a-dia com alguém de uma forma tão íntima e intensa, como seria se assumisse algum compromisso agora. Suas amigas muitas vezes fazem piadas por causa dessa escolha. Todas elas, como a personagem dessa história, adoram o filme (500) Days of Summer. Zombam com moça pelo fato dela ser parecida com a protagonista do filme. A diferença é que de modo algum gostaria de casar.

Mas, Louise não liga para as piadas que fazem, pois sabe se divertir fazendo coisas que realmente gosta e vive bem assim, aproveitando sua juventude. Sonha em ser uma mulher bem sucedida profissionalmente e ser feliz no que faz. Realmente, sabe como não precisar exclusivamente de outro alguém para ter felicidade. Para ela, ninguém é incompleto. Se algum dia amar de verdade, será porque é inteira e não procura sua metade, mas sim alguém inteiro que queira dividir momentos de sua vida.

A personagem dessa história maluca tem certeza que príncipe encantado só existe em filmes, aliás, nunca gostou muito deles. Também acredita que o para sempre não existe e que ninguém está no mundo para ter alegria todos os dias. Mas, é claro que não pensava assim quando era mais nova. Louise era boba demais e acreditava em quase todas as coisas que agora sabe que são bobagens. Errou e se machucou, mesmo que hoje, olhando para trás, ela dê risadas ao lembrar da maioria dos momentos ruins que envolveram o amor, ou o que ela pensava que era amor.

Lembram do que eu comentei no início dessa história? Ela só pensa ser auto-suficiente. Mas bem, eu como mera narradora de uma personagem, que na verdade fui inventada pela imaginação da autora, digo que Louise só é assim porque ainda não amou. Absolutamente, sua visão de como deveriam ser os relacionamentos faz sentido. Não que eu deva demonstrar a minha opinião, pois meu papel é informar a quem lê sobre o destino dessa moça, e não devo desviar a atenção de vocês – mesmo já fazendo isso. Essa moça pode sim ser feliz sozinha, e ela é. Mas a pergunta é: por quanto tempo? Como ela mesma acredita que nada é para sempre, nem sua felicidade solitária. Algum dia ela perceberá que ninguém é totalmente feliz sozinho. Ela, que nunca gostou de ler romances, poderá ainda viver um. O melhor é que isso não precisa começar com ilusões de ser para sempre, nem de se sentir completada só com o homem amado. A diferença, na verdade, é que terá um companheiro e será maravilhoso enquanto durar, enquanto dividir momentos com o futuro amado.

Mas, enquanto esse dia não chega, ela continua aproveitando sua juventude e sua criatividade. Como? Fazendo o que mais gosta sem dar satisfação à outra pessoa. Mas sabem o que eu penso? Que um pouco dessa vontade de ser feliz sozinha e aproveitar a idade é camuflado no medo que sente do amor. Desse sentimento forte que chega de mansinho, no olhar. Ela tem, sinceramente, medo de amar. Porque no fundo ela é romântica. Do jeito dela, diferente, mas é. Só não admite ser.

Ah, olha eu aqui mudando o foco de vocês. A opinião de uma mera narradora atrapalhando o desenrolar dessa história, que mais ficou parecendo um desabafo da mente da autora. Mas cá entre nós, quem é que pode discordar que não foi um desabafo camuflado? Sinto que a autora irá querer me matar. Mas penso que não foi tão ruim o que eu fiz, por que quem é que não usa do artifício de criar para de algum modo desabafar?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Entre os acordes da vida.



Era mais uma daquelas tardes nubladas e chuvosas, onde a maioria das pessoas sai com a cara emburrada para ir ao trabalho ou ao colégio, porque preferiam estar em casa debaixo de suas cobertas. Além de estar um dia chuvoso, o frio também predominava nos últimos dias. Em meio a isso, numa casa onde havia um imenso jardim cercado por flores, morava um moço que encontrava nos dias calmos e cinzas a inspiração para compor algumas canções.

Era um rapaz apaixonado pela música. Assim como era pela leitura, apesar dessa paixão ser um pouco recente, ao contrário da música, que veio desde pequeno quando via o pai tocar violão. Achava magnífico o modo como aquele instrumento tão simples podia reproduzir um som tão bonito. Seu pai o ensinou algumas coisas, mas foi por sua própria vontade que ele aprendeu a tocar aquele instrumento antes de completar dez anos.

Aos quatorze ganhou um violão de presente de aniversário, comprado numa loja e tudo. O vendedor garantiu que era um dos melhores e seu tom marrom claro fez seus olhos brilharem ao o segurar pela primeira vez em seus braços. O garoto sentia-se incrivelmente tranquilo, com uma sensação de bem-estar tremenda quando começou a tocar ali mesmo na loja uma canção que seu o pai o ensinou. Todos os outros clientes presentes sorriam ao presenciar a cena.

Porém, um acontecimento imprevisível fez o brilho dos olhos de John sumirem ao ouvir uma notícia contada por seu próprio pai. De início o pai de John não queria estragar aquele momento tão feliz da vida do filho, mas sabia que poupá-lo da verdade não seria o certo a fazer. Sabia que em algum momento teria que ser franco com o garoto. Não tinha por que adiar, mesmo que isso poupasse que lágrimas estragassem o aniversário de seu filho, essas lágrimas teriam que ser choradas em alguma hora. Aliás, o pai de John sempre teve esse pensamento, sempre pensou que é melhor ferir alguém com uma verdade do que iludir adiando o momento de ser franco, ou pior, contando-lhe uma mentira. E foi por esse motivo que o sorriso que havia nos lábios de John e o brilho nos olhos se desmancharam no exato momento em que ouviu de seu pai a trágica notícia. Sua mãe havia morrido atropelada ao sair para o trabalho. Os olhos de John se encheram de lágrimas e voltou para a casa em silêncio com o pai. Naquele dia, foi a primeira vez em que viu a música como um refúgio da realidade.

Agora, cinco anos depois, John ainda lembrava-se da mãe, das inúmeras vezes em que ela o chamava para o jantar ou ficava admirando seu modo de no violão tocar. Lembrava-se vagamente do último sorriso que deu, antes de John ir até àquela loja comprar seu primeiro instrumento. Mas ele seguiu e seguia em frente. Encontrava nas noites frias e nos dias cinza sua inspiração. Não que nos dias de céu azul ele não escrevesse ou tocasse, só se sentia melhor e mais calmo quando os dias eram nublados.

Além de ter se refugiado na música, John alegrava seu pai, agora mais velho e com alguns problemas de saúde ao contar algumas histórias. Sua mãe era a encarregada de contar histórias para os dois quando ele era pequeno, então pensou que repetir esse hábito faria com que ambos estivessem mais próximos dela. Ele se arrepende de só ter tomado gosto pelos livros após acontecer uma tragédia com sua mãe, pois ela sempre quis tentar fazer com que o garoto se interessasse em ir à biblioteca da casa com ela e ler alguns livros durante as tardes que passavam juntos. Agora, arrepende-se de ter perdido tal preciosa oportunidade. Quanta coisa John não teria aprendido com o mundo dos livros e com companhia de sua doce mãe!

Esse moço que guardava tantas alegrias e mágoas aproveitava o frio e a chuva que haviam chegado a sua cidade para compor algumas músicas. Na verdade, há tempos vinha intercalando entre a leitura para seu pai, seu trabalho e o tempo para compor canções. Ele tocava em alguns bares da cidade. Não por tornar-se conhecido dos frequentadores, nem pelo dinheiro, nada disso interessava a ele. Seu objetivo era somente alegrar a noite de algumas pessoas com o que escrevia e com as melodias que criava.

Seu sonho era, assim como através da leitura ajudava a vida do seu pai ser um pouco mais feliz, conseguir através da música animar a vida de os mais diferentes tipos de pessoas. De levar suas canções a pessoas comuns, que tinham problemas, alegrias, sonhos e desejos, assim como ele também tinha. De levar suas canções a pessoas totalmente diferentes dele, mas que traziam na bagagem uma vontade em comum: refugiar-se e encontrar abrigo na melodia de alguma canção.

Porque John sabia muito bem que nenhum ser humano é igual ao outro, assim como todos temos alegrias e tristezas nessa vida. No entanto, ele sabia também que quem permite refugiar-se na música acaba se tornando mais feliz.